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Notícias
Testemunhos de empreendedorismo nas II Jornadas Técnicas
Fevereiro 26, 2014

Quatro casos de empreendedorismo na região, em áreas como a tecnologia, a agricultura, o turismo e o património, a par das oportunidades geradas por programas de financiamento comunitário e o exemplo de um projeto financiado em vigor foram partilhados, esta manhã, na Biblioteca Municipal de Vila Verde, com uma plateia de jovens, nas II Jornadas Técnicas ‘Soluções Empresariais para a Região’, uma coorganização da ATAHCA e da cooperativa Aliança Artesanal.

São múltiplas as oportunidades que se abrem para a região do Cávado e a realização das II Jornadas técnicas, pela ATAHCA e Aliança Artesanal, trouxe a partilha de casos de sucesso de empreendedorismo concretizados em negócio.

O tema ‘Empreendedorismo em Territórios Rurais’ estendeu-se pela manhã, abarcando os dois painéis, com testemunhos de empresários que iniciaram negócios na região com grande êxito ou perspetivas dele, como a Cerveja Letra, através de Francisco Pereira um dos sócios da Fermentum, a Terras de Amares, no enoturismo e agroturismo, como agricultor e empresário José Carlos Costa, a Signinum, dedicada à conservação, restauro e á aposta pioneira no património cultural, com Luís Aguiar, e ainda o empresário e produtor de pequenos frutos, Tadeu Alves, que veio falar porque é que neste momento Vila Verde “é o concelho com mais dinâmica do país na produção de pequenos frutos”, referiu, citando a secretária de estado da agricultura na sua passagem recente por Vila Verde.

Cada um veio relatar os percursos das suas empresas, marcas e até deles próprios, enquanto empresários e empreendedores, deixando conselhos preciosos para uma plateia composta maioritariamente por estudantes de cursos técnicos.

Francisco Pereira falou da importância da envolvência em vários projetos e não esgotar as possibilidades num único produto. No caso da Cerveja Letra, que possui a maior fábrica de cerveja artesanal do país, a escolha de Vila Verde para se fixarem não foi casual e um dos fatores a explorar que pode tornar esta marca, para além de pioneira em Portugal na produção de cerveja artesanal, quer tornar a sua bebida única, através do ‘resgate’ da produção antiga que há tempos se fez em Vila Verde do cultivo de lúpulo. O aproveitamento deste cereal abre portas a mais três ou quatro projetos “vão passar pela gastronomia, pela cosmética e pela agricultura através do aproveitamento orgânico dos restos do cereal. São projetos que exigem muito’ trabalho de casa’, horas e horas no laboratório, a estudar, e também exigem parceiros com várias entidades e o apoio local, que sempre tivemos”, revelou o engenheiro Francisco Pereira.

O empresário e agricultor José Carlos Costa possui hoje uma herdade que abarca uma quinta dedicada a turismo rural e ainda uma vinha, Terras de Amares, e realçou a responsabilidade, o foco e a sensibilidade e leitura lata que são exigidos a quem empreende: “Uma vinha não é só uma uva. É o património, o turismo, as paisagens que se pode e deve potenciar e incrementar. Neste momento o Douro é uma das regiões mais conhecidas no mundo pelas suas vinhas, que atraem turistas para conhecer a região. Esta região tem potencialidades para isso. Começamos mais tarde mas podemos alcançar o mesmo estatuto ainda que de forma diferente, porque é importante inovar”.

jornadas técnicas

Luís Aguiar centrou-se na importância da recuperação do património sacro para a dinamização turística dando como exemplo a sua empresa, a Signinum, que tem na sua matriz a recuperação e preservação de património e que atualmente representa o pioneirismo na elaboração de planos de marketing cultural, empregando atualmente 50 pessoas e com projetos adjudicados em vários concelhos minhotos.

O bem-sucedido produtor de pequenos frutos, Tadeu Alves, vê a sua atividade encarada como um caso de estudo pelo sucesso alcançado numa produção em que a região do Cávado não tem qualquer tradição, tendo originado um ‘cluster’ de produção em Vila Verde. Tadeu Alves partilhou da ideias, já defendida anteriormente por José Carlos Costa, de que “é importante explorar o solo de acordo com as suas características e não querer plantar abóboras se ele tem aptidão para vinha, por exemplo.” O produtor deu como exemplo o Algarve: “como o solo é pobre, lá o cultivo de mirtilos faz-se em vasos. Cá a terra é boa para isso, por isso vamos aproveitar”.

A ATAHCA tem desempenhado um papel essencial para revitalizar a região assegurando candidaturas a quadros de apoio comunitários que têm financiado vários projetos com uma relevância assinalada, provando assim que é possível inovar e empreender em regiões rurais. O diretor executivo da ATAHCA, prof. José Mota Alves mencionou não ter “dúvidas de que nos próximos tempos o número de apoio a projetos vai disparar pois esta região foi muito pouco beneficiada.”

Para Mota Alves, “se houvesse proximidade no acompanhamento dos projetos, nomeadamente junto dos agricultores, seria o suficiente para estes sendo jovens ou mesnos jovens, apostarem na atividade, não sendo para sobreviver, daria para viver, sem ser necessário uma grande parcela de terra, tendo um projeto inovador”.

Um dos projetos atualmente a ser dinamizado e que foi aprovado pelo Fundo Europeu de desenvolvimento Regional, para ser financiado em 80 por cento, é o Centro de Dinamização Artesanal, que nascerá no edifício onde atualmente se encontra a Aliança Artesanal. “Este projeto reveste uma componente material e imaterial. A material será implementada em breve com a requalificação e ampliação da sede da Aliança Artesanal. A obra tem que ficar concluída este ano e quando estiver pronta vai ser um centro de dinamização profissional dos artesãos e ainda o espaço Namorar Portugal ode ficarão alocados os produtos da marca”, explicou Dra. Júlia Fernandes, vereadora da cultura do Município de Vila Verde.

Estas jornadas contaram ainda com a presença do presidente do Município de Vila Verde, que assinalou a abertura da sessão.

Fevereiro, Mês do Romance integra o projeto ‘Centro de Dinamização Artesanal- Aliança Artesanal’, aprovado pelo EEC Provere Minho IN, do Programa Operacional Regional do Norte (ON2), Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, com um investimento de 663.028,80 e comparticipado a 80 por cento.