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“Sou uma apaixonada pelos lenços e por tudo que é artesanato!”
Novembro 18, 2018

No ano em que se comemora o 30º anoversário da Aliança Artesanal, continuamos a conhecer os rostos por trás da cooperativa que ajudou a levaras escritas de amor da tradição minhota aos quatro cantos do mundo. Dos dias de menina aos de mulher adulta, há uma constante na vida de Júlia Fernandes, que não larga o amor ao artesanato e à tradição que o envolve. É a presidente da Cooperativa Aliança Artesanal há nove anos, cargo que assumiu enquanto vereadora da Cultura do Município de Vila Verde, mas dedica-se há várias décadas à valorização e promoção da herança cultural. “Eu vivo isto desde criança. Venho de uma família que sempre esteve ligada às artes manuais. Aprendi a bordar, a fazer croché, a costurar muito cedo. Sou uma apaixonada pelos lenços e por tudo o que é artesanato”, conta. Sempre com um brilho nos olhos, Júlia Fernandes descreve a sua passagem pela instituição e valoriza o imenso trabalho diário de todos(as) que se dedicam à preservação desta bela e antiga forma de arte.

“São 30 anos a vencer dificuldades”

Este ano a Cooperativa Aliança Artesanal celebra três décadas de existência e tem hoje muitas histórias para contar. De forma transparente, a responsável da estrutura confessa que dentro daquelas paredes viveram-se (e vivem-se) tempos difíceis, que se estendem à generalidade do artesanato português. No entanto, com esforço, união e muito amor pela causa, tem sido possível levar o barco a bom porto, valorizando e promovendo uma tradição que esteve quase perdida. “São trinta anos extremamente importantes para a vida da Cooperativa, são trinta anos a vencer dificuldades. Muitas das instituições dedicadas ao artesanato que foram criadas na altura desta Cooperativa já acabaram, não conseguiram sobreviver. Nós conseguimos resistir, estamos muito felizes por isso e por podermos continuar a cumprir com o nosso papel de promoção do artesanato”, afirma, sem esconder a satisfação, acrescentando que a entrega das bordadeiras é absolutamente excecional. “Há aqui muito esforço, muito sacrifício.  Elas são, sem sombra de dúvidas, as grandes heroínas desta história.  Devemos-lhes imenso, porque até nos períodos de maior crise conseguiram manter-se firmes e superar todas as adversidades”, vinca Júlia Fernandes.

O segredo: “Muito amor e muita paixão”

Três décadas de grande luta, mas, simultaneamente, de grandes passos na cultura do concelho. “Ficamos, sobretudo, felizes por termos conseguido chegar onde chegámos, por termos conseguido que a Cooperativa Aliança Artesanal tivesse o seu espaço quer no território concelhio, quer no território nacional”, frisa a presidente. E se pensarmos em mais trinta anos? Júlia Fernandes acredita que é possível, contudo salienta que é necessário abraçar o projeto com uma determinação vincada e muito sentimento à mistura. “Quem estiver aqui terá que ter sempre esta atitude. Muito amor e muita paixão. Todo este trabalho exige muita entrega. Pelas bordadeiras sei que está garantido, porque elas têm uma entrega extraordinária. Têm sido os pilares da Cooperativa”, diz, acrescentando que “esta casa contribui para o bom nome de Vila Verde e para a defesa das suas tradições, das raízes, do seu artesanato, da sua essência”.

Marca Namorar Portugal – “Menina dos meus olhos”

Quando se fala na marca Namorar Portugal, Júlia Fernandes não esconde nem um pouco a paixão e o entusiasmo. Através da Cooperativa Aliança Artesanal surgiu a marca, que é a “menina dos meus olhos” e como um “projeto vencedor”. “Dedico-me muito a esta marca. Embora tenha muitos pelouros, o pelouro da Cultura, a questão Namorar Portugal, do Lenço, da Aliança… Sempre foram bandeiras para mim”, refere.  A ideia é continuar a trabalhar e a desenvolver cada vez mais a marca que se inspira nos motivos dos Lenços Namorar Portugal. “Queremos continuar na crista da onda, a dar a conhecer o nosso património cultural, conquistar novos mercados, diversificar (durante muito tempo a Aliança só fazia lenços, apenas lenços), procurar as novas tendências”, frisa. Os objetivos futuros estão bem definidos. “Vamos sempre valorizar o trabalho destes profissionais e vamos continuar a defender quer a Aliança, quer a marca Namorar Portugal como algo que é nosso, mas também de todo o país e tentar sempre novos mercados, a internacionalização é sempre importante”, realça Júlia Fernandes.

Uma marca que já extravasou as fronteiras do concelho e do país, conquistando inúmeros fãs pelos quatro cantos do mundo. Mas mesmo fora de portas, os mais fervorosos adeptos têm sangue lusitano.  “Os nossos emigrantes apreciam e procuram muito esta marca.  Os bordados são uma forma de matar a saudade da terra. Há muito saudosismo, há muita procura por estes elementos da tradição”, refere Júlia Fernandes. Mas as gerações mais jovens também ter um importante papel nesta história. As atuais bordadeiras da Aliança Artesanal garantem a continuidade da tradição num futuro próximo, mas é necessário acautelar as próximas décadas. Por isso, a responsável considera que há necessidade de despertar a atenção das gerações mais novas: “Temos que tentar conquistar adeptos junto da nossa juventude e levá-los a vestir a camisola do artesanato”.

“Na altura em que comecei a namorar com o meu marido, bordei e ofereci-lhe um Lenço”

No final, Júlia Fernandes volta a assumir a ligação estreita e sentimento profundo que nutre pela Cooperativa Aliança Artesanal e a marca Namorar Portugal. “Gosto imenso de estar aqui. Aliás, adoro.  Acho que isso se vê. Toda a gente me diz que eu falo disto com paixão e é verdade”, afirma, revelando que também seguiu os passos das antepassadas. “Na altura em que comecei a namorar com o meu marido, bordei e ofereci-lhe um Lenço, algo que a mim me dizia muito e vai sempre dizer. Ajudar e contribuir faz parte da minha maneira de ser e mesmo que um dia que não esteja oficialmente ligada à cooperativa, vou estar sempre umbilicalmente ligada e disposta a ajudar. Não sei o futuro, mas sinto que esta relação com a Cooperativa vai ser sempre uma relação para a vida”.