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“Já fomos representar a Aliança à França, à Bélgica... Conhecemos pessoas novas, outras culturas… é bonito!”
Novembro 02, 2018

 

Continuamos à descoberta dos rostos por trás dos belos Lenços Namorar Portugal e hoje vamos conhecer a história da Bordadeira Alice Augusto, que conta já com vinte e sete anos de mãos nas agulhas e dedais, a recriar e reinventar esta bela e delicada forma de arte.  “Casei e vim morar para Vila Verde. Como já tinha o bichinho de bordar, aprendi com a minha mãe aos nove anos de idade, decidi enveredar por esta arte como forma de ‘ganha pão’ para sustentar a minha família, essencialmente, o meu filho de três meses”, recorda a bordadeira.

Considerando-se uma pessoa que está sempre bem disposta, Alice afirma que é um trabalho que precisa de muita experiência e que não será fácil ‘seduzir’ os jovens para o mundo do artesanato. “Já são muitos anos, temos bastante prática. Agora, de futuro. não sei quem vai ficar com isto. Nós trabalhamos à peça, mas a juventude quer um ordenado certo e nós compreendemos. Eles procuraram outras regalias que o artesanato não tem”, refere. Apesar das dificuldades, Alice Augusto refere que com o empenho de todas e o apoio do Município de Vila Verde tem sido possível levar o barco a bom porto e que, no que depender delas, “a tradição vai continuar bem viva”.

Com o passar do tempo, a Aliança Artesanal começou a atrair atenções de vários pontos do país e do estrangeiro, o que aumentou o grau de exigência. “Têm que estar perfeitos. Hoje até os homens prestam muita atenção aos acabamentos...é engraçado”, afirma, entre risos. Enquanto borda habilmente os famosos Lenços da tradição minhota, vinca a vontade em manter viva esta antiga forma de arte. Apesar de não esconder que é necessário muito esforço para ser artesão profissional em Portugal, mas também existe o outro lado da moeda. “Já fomos representar a Aliança à França, à Bélgica... Conhecemos pessoas novas, outras culturas, é bonito”, afirma.


Ao longo dos anos, a cooperativa tem trabalhado com estilistas conceituados no panorama nacional da moda. Alice Augusto não esconde o entusiasmo de trabalhar peças de alto gabarito e deixa rasgados elogios aos estilistas com quem tem contactado. “Os estilistas são pessoas como nós. Pessoas acessíveis e espetaculares, que valorizam o nosso trabalho. Claro que é um gozo maior e um desafio trabalhar com eles, porque tem sempre uma projeção diferente. É uma responsabilidade muito grande trabalhar com roupas dos estilistas, porque muitas vezes as próprias peças são de materiais muito peculiares”, conclui.