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Gorete Barbosa: “30 anos de muita evolução!”
Outubro 26, 2018

Gorete Barbosa exerce funções administrativas na Cooperativa Aliança Artesanal e, hoje, é dia de conhecer a sua experiência profissional e o gosto pessoal pelo artesanato. São muitas as diferenças positivas que Gorete Barbosa nota com o passar das três décadas de vida da Cooperativa Aliança Artesanal. “Esta casa começou do zero. Eu estou aqui há 21 anos, mas apercebo-me que houve mudanças para melhor quer a nível de projeção da mensagem de amor, quer da valorização das pessoas que cá trabalham”, diz.

Sublinha também o relevo dos lenços para afirmar a tradição minhota e, em particular, vilaverdense e a valorização da posição da mulher nesta área: “É uma cultura muito típica aqui de Vila Verde. Permite também prestigiar as pessoas que cá trabalham, que estão cá desde do primeiro dia. O nosso estatuto passa precisamente pela valorização da mulher e, nesse sentido, complementar o rendimento familiar”. Gorete garante que o trabalho das bordadeiras é fundamental e que elas têm uma dedicação incomparável. “Não param, elas bordam aqui e bordam em casa quando há muitas encomendas. Bordam o máximo de horas por dia, sempre com muita paixão pelo que fazem”, refere. Os pedidos são muitos e são os portugueses que mais compram: “Há muita gente a vir cá, aliás cada vez mais! Hoje, com a mensagem dos lenços transportada para outros suportes há um interesse ainda maior. Embora os nossos trabalhos cheguem além-fronteiras, as pessoas que mais nos procuram são os portugueses”. Conta também que há pessoas de todos os gostos e idades a passar pelo espaço. “Há de tudo, dos mais novos aos mais velhos, todo o tipo de pessoas a oferecer à pessoa amada, à família, aos amigos como prendas de casamento, de aniversário, um bocadinho de tudo...”.

A Aliança Artesanal já fez trabalhos com designers de renome (Nuno Gama, Ághata Ruiz de la Prata, entre outros) e Gorete diz que é uma excelente forma de promover a atividade artística. “É o reconhecimento da qualidade do nosso trabalho, da beleza, do profissionalismo das nossas bordadeiras. Há trabalhos que elas fazem aqui que dificilmente outras pessoas conseguiriam fazer, é preciso muita prática e muita dedicação”, afirma. Na sua perspetiva é assim que a tradição pode ganhar uma dimensão ainda maior. “Os estilistas tanto fazem desfiles no nosso país como lá fora. Depois, os nossos bordados têm uma particularidade, são coloridos e essa palete de cores faz com que o trabalho se torne muito apelativo e com uma grande visibilidade”, frisa Gorete Barbosa, exemplificando. “Se alguém passar na rua com uma camisa bordada com os motivos dos lenços dá nas vistas. Ainda hoje fui tomar café e o meu coração [bordado no pólo que vestia] deu nas vistas (risos) é um trabalho que realmente... é um trabalho lindo!”, diz fortemente emocionada. No fim da conversa, Gorete volta a não esconder a sua paixão pela profissão, “não penso muito em enveredar por outro trabalho, aqui corre sempre tudo muito bem e eu gosto dos sorrisos de quem cá vêm”.